qui, 03 de abril de 2025

Polícia apura morte do ‘maníaco da corrente’, que aterrorizou Rio Preto nos anos 80 e 90

Ele foi condenado por cinco assassinatos na cidade e foi encontrado morto na última semana em Guarapari, no Espírito Santo

 

Paulo José Lisboa, o rio-pretense que ficou conhecido como “maníaco da corrente” ao cometer assassinatos em série entre as décadas de 80 e 90, desafia as autoridades policiais mais uma vez. Agora, para que se descubra a causa da morte dele. O serial killer condenado em Rio Preto por cinco homicídios e seis espancamentos foi encontrado sem vida na última sexta-feira, 4, em uma casa da cidade de Guarapari, no interior do estado do Espírito Santo.

Ele vivia com a esposa no endereço há cinco anos, quase que em completo anonimato. Foi ela quem, ao deparar com o corpo no quarto, comunicou a Polícia Militar da cidade de que se tratava de um famoso assassino. Ainda que os parcos detalhes noticiados pela imprensa capixaba deem pistas de que se trata de uma morte natural, a Polícia Civil do Estado não pode descartar nenhuma hipótese em se tratando de um homem cuja história foi marcada pelo cometimento de crimes violentos.

“Faz mais de 30 anos, mas ainda me lembro de uma mulher que sobreviveu ao ataque dele, porque se fingiu de morta. Foi covardemente espancada e teve o corpo lançado em um rio”, lembra a delegada Dálice Ceron, da Delegacia de Defesa da Mulher.

A vítima foi determinante para identificar o homem que abordava mulheres e oferecia carona. As investigações apontaram que ele matou uma adolescente de apenas 15 anos no réveillon de 1987. A jovem foi assistir a virada de ano na represa e, ao fim da festa, não tinha como voltar para casa. Aceitou uma carona do desconhecido e foi encontrada morta, em um terreno do bairro Tarraf 2, com 47 facadas.

O alvo preferido dele, no entanto, eram prostitutas e travestis. O apelido que o tornou conhecido nacionalmente refere-se a um objeto utilizado comumente nos ataques: uma corrente, com a qual as vítimas eram estranguladas.

A notícia da morte de Lisboa reavivou a memória de rio-pretenses que vivenciaram o clima de medo e terror instaurado na época.

“Era representante comercial de medicamentos. Inteligente, simpático, bom negociador”, revela a dona de casa Maria Lúcia Onca, dona de uma farmácia na época. “Ficamos todos chocados com a repercussão da prisão dele. Era uma pessoa acima de qualquer suspeita”, disse.

Lisboa, que tinha 53 anos, foi encontrado pela mulher em estado de decomposição. A polícia acredita que ele já estivesse morto há pelo menos dois dias. A companheira retornava de uma viagem de duas semanas para a casa de parentes.

O caso foi registrado como encontro de cadáver e a causa da morte é investigada pelo Departamento Médico Legal de Vitória.

Condenações e solturas

Condenado, em 1994, a 18 anos de prisão em júri popular realizado no Fórum de Rio Preto, Paulo José Lisboa permaneceu preso por apenas quatro, quando fugiu do manicômio judiciário de Franco da Rocha.

Considerado foragido, foi preso somente em 2008, no estado do Espírito Santo, onde já era alvo da polícia capixaba pelo cometimento de outros assassinatos.

Em 2011, foi condenado a 10 anos de prisão por uma tentativa de homicídio e foi liberado em 2017 após decisão judicial.

Apesar da distância geográfica e temporal com Rio Preto, o serial killer mantinha vínculos na região. Ele era representado por um advogado de Palestina, cidade natal da mãe, em um processo de inventário.

Procurado, o defensor não quis informar qualquer detalhe sobre a relação dele com o assassino. Joseane Teixeira – diarioweb.com.br

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