qui, 03 de abril de 2025

“Maníaco do Corcel” é condenado a mais de 300 anos de prisão por série de crimes

José Antônio Miranda da Silva, conhecido como o “Maníaco do Corcel”, foi condenado a 337 anos e quatro meses de prisão em regime fechado, durante julgamento realizado nesta quinta-feira (13),…

José Antônio Miranda da Silva, conhecido como o “Maníaco do Corcel”, foi condenado a 337 anos e quatro meses de prisão em regime fechado, durante julgamento realizado nesta quinta-feira (13), em São José do Rio Preto (SP). Ele foi acusado de cometer assassinatos violentos, estupros em série contra pelo menos 17 mulheres e de enterrar uma delas viva.

Relembre o caso

José Antônio, atualmente com 51 anos, foi preso no bairro Ouro Verde, onde morava com a família, no dia 19 de junho de 2020. Ele está preso na cadeia de Lucélia (SP) e participou do júri popular por meio de videoconferência. O réu foi condenado por 21 crimes, incluindo homicídios, tentativas de homicídio, roubos e estupros. A decisão ainda cabe recurso.

O que diz a defesa

O advogado de defesa do acusado, Emerson Bertolini, disse que pretende apresentar recurso em instâncias superiores caso as provas sejam consideradas contundentes. Em relação aos crimes em que não houver provas, o advogado disse que vai pedir a absolvição do acusado.

“Eu perguntei se ele cometeu esses crimes. Ele falou ‘Dr. não me recordo, eu tomo remédios’ e confessou que era usuário de drogas. Para mim, ele não confessou [os crimes]. No reconhecimento foram colocadas pessoas brancas ao lado dele, por isso, a polícia deveria ter investigado outros acusados parecidos com o perfil dele”, diz o advogado.

Depoimentos e vítimas

Na audiência, foram ouvidas três testemunhas: um delegado, um policial militar e a ex-mulher do acusado. Algumas vítimas não foram localizadas para comparecer e outras não foram chamadas para preservar a saúde mental delas, segundo a juíza responsável pelo júri.

Acusações do Ministério Público

De acordo com o Ministério Público (MP), José Antônio foi denunciado por dois homicídios consumados, sete tentativas de homicídio, cinco roubos e sete estupros. A data do júri foi adiada duas vezes, pois o advogado de defesa do acusado alegou insanidade mental, o que foi analisado e descartado pela Justiça.

Versão do acusado

Na audiência, José Antônio reafirmou que não praticou os assassinatos e estupros, bem como disse que não conhece ou já viu as vítimas. No entanto, o depoimento contradiz o que o acusado já havia dito, durante as investigações dos crimes, no interrogatório ao delegado Paulo Buchala.

Histórico criminal

Quando questionado sobre o modelo do carro que possuía entre 2018 e 2020, o acusado preferiu não responder. Em determinado momento do julgamento, a juíza Gláucia Véspoli Oliveira perguntou sobre a condenação que José Antônio sofreu no final da década de 1990.

À época, o soldador foi condenado e cumpriu pena de 20 anos, entre 1997 e 2017, por três estupros e três assassinatos, crimes idênticos aos cometidos por ele a partir de 2018 no noroeste de São Paulo, após conseguir liberdade, bem como com o mesmo histórico e argumentos utilizados por ele para atrair as vítimas.

Após a pergunta, o acusado retruca a juíza: “Vou fazer uma pergunta para a senhora, estou sendo julgado pelo passado ou [inaudível] agora?”. Na sequência, a juíza pontua que ela é quem faz as perguntas durante o julgamento ao acusado:

“É o senhor que está sendo interrogado aqui, o senhor não faz perguntas, aqui o senhor responde perguntas”, responde a juíza.

Crimes e vítimas

Os corpos de Sebastiana de Fátima Souza, de 55 anos, e Adriana Melo Viana Narte, de 29, foram encontrados na zona rural de Rio Preto em 2019.

O promotor José Márcio Rossetto Leite, responsável pela denúncia à época, disse que esperava que o soldador fosse condenado a 200 anos de prisão. Ele foi a júri por cometer os 21 crimes contra nove mulheres, entre 2018 e 2020.

Conforme o promotor, em 20 anos de atuação, ele nunca trabalhou em um processo tão violento e se surpreendeu com as provas apresentadas no processo.

“A crueldade dele, a frieza, uma maldade excessiva, desprezo pelas vítimas. São crimes que chocam. Uma pessoa extremamente perigosa. Talvez a defesa alegue que ele não sabia o que estava fazendo ou tente afastar algum dos crimes”, comenta o promotor.

Investigação policial

O delegado responsável pela conclusão do inquérito policial, Wander Luciano Solgon, explicou que José Antônio escolhia mulheres que apresentavam vulnerabilidade social, entre elas garotas de programa, usuárias de drogas e que não tinham suporte familiar.

“Chegamos à conclusão de que esta preferência se dava em virtude de que mulheres com este perfil geralmente não convivem mais com a família, razão pela qual os desaparecimentos não são notados”, diz o relatório final da polícia.

No interrogatório, José Antônio confessou à polícia que matou Adriana após ter brigado com ela durante um desentendimento por uso de drogas. Com relação às outras vítimas, o delegado lembra que, à época, o criminoso negou os crimes.

Condenações anteriores

O homem já passou por júri popular em outubro de 2022 pelos delitos contra outras mulheres em Monte Aprazível (SP), onde também foi acusado de matar e estuprar as vítimas. Na ocasião, ele foi condenado a 35 anos de prisão por homicídio, estupro e ocultação de cadáver.

No fim da década de 1990, o soldador foi condenado e cumpriu pena de 20 anos, entre 1997 e 2017, por três estupros e três assassinatos, crimes idênticos aos cometidos a partir de 2018 no noroeste de São Paulo, um ano após conseguir a liberdade, bem como com o mesmo histórico e argumentos utilizados por ele para atrair as vítimas.

Modo de operação

Quando foi preso e condenado pela primeira vez, o criminoso usava um carro Ford Corcel para praticar os crimes – fato que deu a ele o apelido de “Maníaco do Corcel”, pelo qual ficou conhecido.

A partir de 2018, atuando da mesma forma, ele ganhava a atenção e confiança das vítimas, oferecia carona com um carro Chevrolet Corsa a mulheres sozinhas e, depois, as levava para propriedades rurais, onde elas eram violentadas, estupradas e roubadas. Mesmo com elas desacordadas, o criminoso continuava com os atos de abuso sexual.

“Foi um caso extremamente atípico para São José do Rio Preto, é algo que a gente só ouve em literaturas externas, nos Estados Unidos, parece filme. Chama a atenção”, diz o delegado.

Ao entrarem no carro, as mulheres não tinham ideia de que seriam obrigadas a ter relação sexual e acabariam esganadas, enforcadas com cintos e cordas, amarradas e agredidas com tapas, socos e cortadas com faca.

Em várias ocasiões, o criminoso ainda tentou colocar fogo nos corpos das vítimas. Inclusive, a investigação apontou que José Antônio carregava um galão de combustível no porta-malas do carro.

As que sobreviveram, conforme o promotor, saíam nuas, andavam por horas em estradas em locais ermos, desnorteadas, até serem localizadas. Para conseguirem escapar, algumas mulheres se fingiram de mortas. Outras precisaram ser internadas em hospitais e fazer tratamento psiquiátrico.

Casos específicos

Entre a noite do dia 13 e a madrugada do dia 14 de janeiro de 2019, José Antônio matou a garota de programa Sebastiana de Fátima. Na noite do crime, acompanhado de um homem não identificado, ele levou a mulher até um motel.

De lá, Sebastiana e José Antônio foram para um local ermo, na zona rural de Rio Preto, próximo ao distrito de Talhados, lugar onde, inclusive, já foram encontradas outras vítimas sobreviventes.

O criminoso, então, agrediu a vítima e colocou fogo no corpo dela. O laudo necroscópico apontou que Sebastiana morreu por traumatismo craniano. Imagens do circuito de segurança mostram o momento em que o carro de José Antônio sai do motel.

Em março de 2019, dois meses depois, uma auxiliar de cozinha, que tinha 27 anos na época, foi abordada pelo criminoso no semáforo, enquanto pedia dinheiro, e foi levada até uma plantação de cana-de-açúcar, onde foi estuprada.

Depois, ela andou até um cemitério no distrito de Talhado, onde deitou em um buraco e foi encontrada por um coveiro.

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